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História

da Real Irmandade

A última professa do mosteiro de Arouca, Dona Maria José Gouveia Tovar de Meneses, faleceu em 3 de Julho de 1886. Prevendo este desfecho, destacados cidadãos arouquenses tomaram a iniciativa de fundar a Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda, aprovando os primeiros estatutos logo no dia 10 do mesmo mês.

Estes estatutos tiveram a aprovação do Conselho de Distrito de Aveiro, em 24 de Julho, e do Governo Civil no dia 28.
O Cardeal Bispo do Porto, D. Américo Ferreira dos Santos Silva, confirmou-os, por provisão de 19 de Agosto.
A Comissão Instaladora foi eleita em 8 de Agosto de 1886, sendo presidida pelo padre José Gomes de Figueiredo. 
O forte empenhamento da população arouquense leva-nos a pressupor que, para além da pretensão de dar continuidade ao culto da Rainha Santa Mafalda, estava subjacente a ideia de conseguirem reter em Arouca o riquíssimo espólio patrimonial acumulado ao longo de séculos no mosteiro.

Logo em 1886, no ato da fundação, solicitaram ao príncipe D. Luís, que se declarasse Juiz Perpétuo da Irmandade. Esta petição invocava, de forma implícita, a proteção régia para a instituição. Com efeito, a lei de 26 de Junho de 1889 viria a entregar a guarda e administração do espólio do mosteiro à Irmandade.
O reconhecimento papal verificou-se em 1 de Fevereiro de 1887, por Breve de Leão XIII.

Depois dos tempos difíceis da Primeira República, resultantes aplicação da Lei da Separação de 1911, durante o Estado Novo registou-se um período de apatia, que levou a que a mesa mantivesse inalterada entre 1917 e 1929, por falta de participação dos irmãos nas assembleias. Só o empenhamento pessoal do padre Joaquim Carneiro Leão na revitalização da Irmandade evitou o seu fim. Abstraindo pequenos problemas pontuais, o regime democrático saído da Revolução de 1974, não interferiu na vida da Instituição.

Embora os primeiros estatutos deixassem prever algumas preocupações de carácter social, a Irmandade nunca encarou a benemerência como uma prioridade. No entanto, desde a fundação, contribuiu para o Fundo de Beneficência do Governo Civil, para o Hospital da Misericórdia, Defesa Sanitária contra a Tuberculose e no apoio escolar a crianças pobres.
Esteve sempre na mente dos dirigentes a promoção da cultura e a salvaguarda do património do mosteiro.

O Museu de Arte Sacra, que nas palavras do Prof. Doutor Pedro Dias “ocupa um lugar destacado na hierarquia das instituições congéneres do nosso país”, teve a sua génese em 1917. Inicialmente entendeu a mesa administrativa instalá-lo na sala do capítulo, situação inviabilizada pelas graves carências vividas durante a Primeira República. Em 27 de Novembro de 1933 seria inaugurado pelo Ministro do Interior, ocupando as antigas celas das freiras viradas a norte e poente, espaços mais amplos e adequados.

A direção do Museu de Arte Sacra foi, por regra, assumida pelo juiz da Real Irmandade, ou por pessoa em quem ele delegasse essa qualidade.
Tiveram papel relevante na instalação do Museu, o Dr. Pedro Vitorino, Maria Rosa do Sacramento, antiga criada do convento, a quem ficou a dever-se a salvaguarda das peças que constituem o acervo do museu de arte sacra, o Dr. Manuel Rodrigues Simões Júnior um apaixonado pelo mosteiro que, enquanto mesário, “foi justamente considerado Director do Museu de Arte Sacra, que exerceu com toda a dedicação”. 
Para além da criação e da tutela do museu de arte sacra, a Real Irmandade desenvolveu, no decurso da sua secular existência, atividades ligadas à cultura, concertos, exposições, etc.
O Mosteiro de Santa Maria de Arouca é, atualmente, um dos monumentos melhor conservados do país.

Foi, nos últimos anos, levantada a hipótese de instalar no mosteiro uma estalagem, apoiada  pelo IPPAR  e pela Câmara Municipal de Arouca, sob a direção da Real Irmandade, situação que, a concretizar-se, traria a esta terra uma grande valorização, em termos de turismo de qualidade. 

Pelo Decreto-Lei nº. 26 611, de 19 de Maio de 1936, foi fixado o perímetro de proteção do mosteiro, que obrigou à regulamentação da construção nessa área. 
A Real Irmandade atravessou as últimas décadas da Monarquia, a Primeira República, o período da ditadura de Salazar e de Caetano, passando por momentos de elevação, que vão desde a grande euforia e adesão popular, dos tempos da fundação, a períodos de difícil sobrevivência, pairando mesmo sobre ela a ameaça da extinção. Viveu épocas de grande desafogo económico e épocas de penúria extrema. Graças ao empenhamento dos mesários e de algumas personalidades, honrosas exceções, que, no decurso dos tempos, se mantiveram ao seu lado, sobreviveu até aos nossos dias como uma instituição de grande prestígio. 

O juízes foram sempre destacadas figuras locais:
Dr. Bernardo Furtado Mendonça Moreira Aranha (1887 - 1888)
Padre Bernardino de Pinho Bandeira (1892 - 1901) 
Dr. Alberto Carlos Teixeira de Brito (1901 - 1914)
Custódio Fernandes Soares de Pinho (1915 - 1947) 
Prof. Doutor Alberto Carlos de Brito (1947 - 1976) 
D. Domingos de Pinho Brandão (1977 - 1989)
Prof. Doutor Arnaldo Cardoso de Pinho (1989 - ...)


Dr. Afonso Costa Santos Veiga
(Mestre em História)

Saiba mais em:
VEIGA, Afonso Costa Santos - Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda de Arouca. Arouca: Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda, 2005.

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