A Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda de Arouca expressa a sua sincera gratidão por todas as mensagens de condolências recebidas e pela presença de todos os que nos acompanharam nas cerimónias fúnebres.
Informamos que as Missas de 7º Dia se realizarão:
- Dia 21 de maio, às 18:45 horas, na igreja de são Martinho de Lordelo do Ouro, Rua das Condominhas - Porto
- Dia 25 de maio, às 8:30 horas, na Igreja de Moldes – Arouca
Missa de trigésimo dia:
- Dia 22 junho às 8:30, na Igreja de Moldes - Arouca
“Queridos irmãos, familiares, amigos, membros da Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda de Arouca,
Hoje, nesta cerimónia de despedida, reunimo-nos com o coração apertado para prestar a nossa última homenagem àquele que foi, para todos nós, muito mais do que um nome ou um cargo: o Doutor Arnaldo de Pinho.
A história da Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda escreve-se com o seu nome. E fá-lo não apenas porque nela ocupou cargos de elevada responsabilidade, mas porque a viveu, a amou e a serviu com uma entrega e uma dedicação ímpares.
Entrou para a direção da Irmandade em 1986 como vice-juiz e, apenas três anos depois, assumiu a função de juiz, cargo que desempenhou com rigor, sabedoria e humildade até 2018. Em 2022, voltou a assumir essa responsabilidade, dando mais uma vez provas de um espírito incansável, de um amor profundo à causa e à missão desta Irmandade.
O Doutor Arnaldo era o rosto mais visível da Real Irmandade — e não por vaidade, mas por serviço. Conhecedor profundo das obras patentes no Mosteiro de Arouca, entregou-se à nobre missão de preservar e valorizar o espólio de Arte Sacra confiado à nossa guarda. Com determinação e visão, recorreu ao mecenato junto de várias instituições, como a Universidade Católica, a Fundação Calouste Gulbenkian [Dr. Artur Santos Silva], a Fundação Luís Aguiar Soares, a Fundação Ilídio Pinho, a Adrimag e outros beneméritos, garantindo o restauro e conservação de valiosas peças do Museu de Arte Sacra.
Foi também graças à sua sensibilidade e ao seu sentido de responsabilidade que se concretizou a digitalização e catalogação do Acervo Histórico do Mosteiro de Arouca, projeto realizado pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade de Lisboa, com apoio da Fundação Gulbenkian.
Sob a sua direção nasceram espaços e ideias que hoje enriquecem o nosso património: promoveu a fundação do Centro de Estudos D. Domingos de Pinho Brandão, acolheu generosamente doações que ampliaram o acervo da Irmandade, impulsionou a criação da biblioteca com o mesmo nome — um espaço digno, ao serviço da cultura e da memória.
Homem de cultura, viu no órgão do cadeiral do mosteiro não apenas uma peça magnífica, mas um símbolo vivo da nossa herança musical. Foi o grande promotor do ciclo de concertos anuais de órgão ibérico, assegurando o seu estudo, restauro e digna utilização no culto e na cultura. Criou, inclusive, a figura do organista titular, garantindo que este património não apenas se conservasse, mas se ouvisse e se sentisse.
A sua visão organizativa e o seu espírito inclusivo levaram à criação de uma direção tripartida para o mosteiro de Arouca e, desde 1989, à abertura da Real Irmandade a uma maior participação feminina, incluindo nas estruturas diretivas. Sempre disponível para acolher ideias e projetos de irmãos e da comunidade, o Doutor Arnaldo promoveu inúmeras iniciativas com vista à valorização do nosso património e da nossa cultura.
Fundou também o “Dia do Irmão”, momento de encontro, de partilha, de fraternidade — reflexo do que ele próprio foi: um homem de sabedoria, de humanidade, de sensibilidade, de cordialidade e de amizade.
Partiu, mas deixa-nos uma herança que não se mede apenas em bens ou obras — mas num legado de valores, de dedicação e de exemplo que marcará para sempre todos quantos com ele conviveram.
A sua memória viverá connosco. No som do órgão que ajudou a restaurar, nas páginas dos livros que ajudou a preservar, nas vozes dos irmãos que ajudou a unir.
Por tudo o que nos deu, por tudo o que foi, por tudo o que nos deixou, estamos-lhe profundamente reconhecidos. E comprometemo-nos, com respeito e gratidão, a honrar a sua memória, dando continuidade à sua obra com o mesmo espírito de serviço e de amor.
Descanse em paz, querido Doutor Arnaldo de Pinho.
Que Deus o acolha com a mesma ternura com que acolheu cada um de nós.”
Arouca, 16 de maio de 2025